terça-feira, 1 de junho de 2010

Maria

Discreta e formosíssima Maria,
Enquanto estamos vendo a qualquer hora,
Em tuas faces a rosada Aurora,
Em teus olhos e boca, o Sol e o dia:

Enquanto com gentil descortesia,
O ar, que fresco Adônis te namora,
Te espalha a rica trança brilhadora,
Quando vem passear-te pela fria.

Goza, goza da flor da mocidade,
Que o tempo trata toda a ligeireza
E imprime em toda a flor sua pisada

Oh, não aguardes que a madura idade
Te converta essa flor, essa beleza
Em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada.

(Gregório de M. Guerra)

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