sexta-feira, 18 de junho de 2010

Pedido à ti

Sou teu subordinado, minha flor
Contudo revolto-me perante tua apatia
E por me esconderes a face
Mostra-me o quão covarde és

Então como esperas o digno respeito?
Se ao tentares apresentar austeridade
Trai a ti mesmo em pueris atitudes
E é o riso que despertas, não admiração

Ó, estúpida flor, o quão triste és
Se te rendes a tão vis prazeres
Se te rendes a tão funestos desejos

Volte, volte a ser a de outrora
Que suscita beleza e traz luz
Oposta à tua torpe fronte de agora

quinta-feira, 3 de junho de 2010

terça-feira, 1 de junho de 2010

Maria

Discreta e formosíssima Maria,
Enquanto estamos vendo a qualquer hora,
Em tuas faces a rosada Aurora,
Em teus olhos e boca, o Sol e o dia:

Enquanto com gentil descortesia,
O ar, que fresco Adônis te namora,
Te espalha a rica trança brilhadora,
Quando vem passear-te pela fria.

Goza, goza da flor da mocidade,
Que o tempo trata toda a ligeireza
E imprime em toda a flor sua pisada

Oh, não aguardes que a madura idade
Te converta essa flor, essa beleza
Em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada.

(Gregório de M. Guerra)

As inconstâncias do mundo

Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.

Porém, se acaba o Sol, por que nascia?
Se é tão formosa a Luz, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?

Mas no Sol, e na Luz falte a firmeza,
Na formosura não se de constância,
E na alegria sinta-se tristeza.

Começa o mundo enfim pela ignorância
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.

(Gregório de M. Guerra)