segunda-feira, 31 de maio de 2010

Rosa

Quando os olhos fixam inertes
Com a cor habitual manchada d'agua
Ah, nunca em tal jardim se ouviu
Mas sabemos o que o silêncio nos diz

O que o olhar deixa ao passar
Ou com que a água mostra ao beirar os olhos
Ou o que seus sorrisos dizem
Mesmo que som algum se faça soar

És ingênua, pálida, rosa
Mas tuas pétalas, ainda à luz da lua
Sabem com um que de torpeza

O quão forte as estações pisam
E com sua razão perene
Levam tua efêmera e frágil beleza.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Doce

A mão sobe, balança
E então brilham, os olhos
Se vem dentes brancos
E vermelha, face, Clara
Ágeis, os dedos contornam
Lugares quentes acham
E risos e suspiros fazem
Sem som, seu som se faz
E quando ar falta problema não há
Passam horas e em minutos
Ao círculo segundo são julgados
Por Minos, ó desgraçados
Juntos continuam a mímica
Como o mar o faz durante o ano
E quietos terminam sentados
Observando, observando
Mudos, os dois conversam.


sexta-feira, 7 de maio de 2010

O velho

Dizem ao cair da chuva
Descendo a rua
Na alameda da Vitória
No segundo banco
Descansando está o velho
Manco, pobre e ébrio
Relembrando velhos tempos
Quieto, soturno
Eis que chega por ali
Um mudo menino
Disposto para ouvir
Contos de amor
Lúcido, o velho olha, atônito
Pra depois chorar
E ficam por lá sentados
Na chuva esquecidos
Em um mútuo silêncio
De quem sabe que
A vitória a nós pertence
Os que nela pensam